A indicação de reposição de testosterona exige duas coisas ao mesmo tempo: sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada em pelo menos duas coletas feitas na parte da manhã. Antes de indicar, é preciso investigar o que pode estar causando a queda, obesidade, apneia do sono, uso de medicamentos, doença crônica, alterações da hipófise, porque parte desses casos melhora ao tratar a causa. Há ainda situações em que a reposição não deve ser feita, como desejo de ter filhos no curto prazo, suspeita de câncer de próstata não esclarecida e hematócrito elevado. Exame isolado alterado não é diagnóstico.
Reposição de testosterona é hoje um dos assuntos mais falados e menos explicados na saúde masculina. Quero tratar dele pelo lado que costuma ficar de fora: o que precisa estar esclarecido antes de qualquer prescrição.
Dois critérios, não um
O diagnóstico de hipogonadismo exige sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada. Um exame alterado em um homem sem sintomas não fecha diagnóstico; sintomas com exames normais apontam para outra causa a investigar.
A confirmação pede pelo menos duas dosagens, em jejum e na parte da manhã. A testosterona varia ao longo do dia e cai em quadros agudos, medir uma vez, à tarde, gera diagnóstico errado nas duas direções.
O que precisa ser afastado antes
- Obesidade e alterações metabólicas, que reduzem a testosterona e respondem ao tratamento da causa.
- Apneia obstrutiva do sono, frequente e subdiagnosticada.
- Medicamentos: opioides, corticoides e uso prévio de anabolizantes.
- Causas hipofisárias, avaliadas com LH, FSH e prolactina.
Essa etapa não é burocracia. Em parte dos pacientes, tratar a causa melhora o quadro sem necessidade de repor, e essa é a melhor resposta possível para quem procurou ajuda.
Quando não repor
A reposição suprime a produção de espermatozoides, então quem pretende ter filhos no curto prazo precisa de outra conduta. Também não se repõe com suspeita não esclarecida de câncer de próstata, hematócrito elevado, insuficiência cardíaca descompensada ou apneia grave sem tratamento.
E quando há indicação, o acompanhamento faz parte do tratamento: reavaliação clínica e laboratorial periódica, com testosterona, hematócrito e PSA conforme idade e histórico.
Se você tem sintomas ou já recebeu um exame com testosterona baixa, o caminho é uma avaliação que confirme o diagnóstico e investigue a causa antes de decidir qualquer coisa. Agende uma consulta e vamos fazer isso na ordem certa.