A andropausa não é um evento único como a menopausa. No homem, a produção de testosterona diminui de forma lenta e gradual ao longo dos anos, e muitos nunca desenvolvem sintomas. O termo mais usado hoje é hipogonadismo de início tardio, que descreve a combinação de testosterona baixa confirmada em exame com sintomas compatíveis. Cansaço, ganho de peso e queda de desejo têm várias causas possíveis, e por isso o urologista investiga antes de atribuir tudo ao hormônio.
A palavra andropausa circula em revistas, redes sociais e propagandas de suplementos, quase sempre com a ideia de que existe um momento em que o homem "entra na andropausa", como a mulher entra na menopausa. Essa comparação é a raiz de boa parte da confusão. Este conteúdo explica o que de fato muda no eixo hormonal do homem maduro, o que a ciência ainda debate e como uma avaliação séria funciona antes de falar em reposição de testosterona.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica. Não use as informações aqui para autodiagnóstico ou automedicação. Consulte um urologista para avaliação individual.
Por que a comparação com a menopausa não funciona
Na menopausa, os ovários interrompem a produção hormonal em um intervalo relativamente curto, e isso acontece em toda mulher. No homem, os testículos continuam produzindo testosterona ao longo da vida. O que se observa é uma redução gradual, que costuma começar por volta da quarta década e avança devagar, com grande variação entre indivíduos. Uma parcela dos homens chega a idades avançadas com níveis considerados normais; outra parcela desenvolve queda relevante bem antes, geralmente por influência de peso, doenças crônicas ou medicamentos.
Por essa razão, boa parte das sociedades médicas evita o termo andropausa e usa hipogonadismo de início tardio, ou deficiência de testosterona associada à idade. A troca de nome não é preciosismo: ela deixa claro que se trata de um diagnóstico que exige exame confirmatório e sintomas compatíveis, e não de uma fase automática da vida.
O que muda de fato no corpo depois dos 40
Algumas mudanças são esperadas com o passar dos anos e não significam doença. A composição corporal tende a mudar, com mais gordura na região abdominal e menos força. O sono fica mais leve. A resposta sexual pode ficar mais lenta, com necessidade de mais estímulo para a ereção. A frequência de pensamentos sexuais pode diminuir. Tudo isso acontece em graus muito diferentes de um homem para outro e recebe influência direta de hábitos, estresse e condições de saúde.
O ponto que a avaliação precisa separar é o seguinte: quanto dessas mudanças se explica pela queda hormonal e quanto se explica por outros fatores que, por coincidência, aparecem na mesma faixa de idade. Ganho de peso, sedentarismo, apneia do sono, diabetes, depressão e certos medicamentos produzem sintomas praticamente iguais aos atribuídos à andropausa, e vários deles também derrubam a testosterona, o que torna o quadro circular.
Sintomas que costumam ser atribuídos ao hormônio
- Queda de desejo sexual e redução das ereções espontâneas.
- Dificuldade de ereção ou ereção menos firme.
- Cansaço que não melhora com descanso e sensação de falta de vigor.
- Irritabilidade, desânimo ou dificuldade de concentração.
- Perda de força e aumento da gordura abdominal.
- Diminuição de pelos corporais, suores e, em alguns casos, aumento das mamas.
Os três últimos itens da lista, sobretudo alteração de pelos, suores e aumento das mamas, são mais específicos de queda hormonal. Os primeiros, principalmente cansaço e humor, são inespecíficos e frequentemente têm outra origem. Um homem com sono ruim por apneia, por exemplo, acorda cansado, perde desejo e pode ter testosterona baixa no exame, e o tratamento correto começa pelo sono, não pelo hormônio.
Como o urologista avalia
A consulta começa por uma história detalhada: quais sintomas, há quanto tempo, como estão sono, peso, atividade física, uso de álcool, medicamentos em uso, histórico de anabolizantes e doenças na família. O exame físico avalia distribuição de gordura, pelos, mamas, tamanho e consistência dos testículos e sinais de outras condições. Só então entram os exames de sangue, e a dosagem de testosterona precisa seguir regras: coleta pela manhã, em jejum, e repetida em outro dia se o primeiro resultado vier baixo, porque o hormônio oscila.
Além da testosterona total, o médico pode pedir a fração livre ou a proteína que a transporta, hormônios da hipófise, prolactina, hemograma, glicemia, colesterol, função da tireoide e PSA, conforme o caso. Esse conjunto serve para responder a duas perguntas: existe queda hormonal confirmada, e ela é a causa dos sintomas ou apenas um achado ao lado de outro problema.
Um cuidado importante é não tratar o número isolado. Um homem sem sintomas e com testosterona um pouco abaixo da faixa de referência não tem diagnóstico de hipogonadismo, e um homem com sintomas intensos e exame normal precisa de outra explicação para o que sente. O diagnóstico nasce do encontro entre a queixa e o laboratório, nunca de um dos dois sozinho.
O que a evidência ainda não define
Ainda não há consenso sobre o valor exato de testosterona abaixo do qual todo homem com sintomas se beneficia de tratamento, e os limites variam entre diretrizes e laboratórios. Também não está claro, para homens com queda leve, se a reposição traz mais benefício do que tratar os fatores de estilo de vida isoladamente. Por isso a decisão é individual, discutida com o paciente, e revista ao longo do acompanhamento.
Quando procurar um urologista no Itaim Bibi, em São Paulo - SP
Vale agendar consulta quando os sintomas descritos acima persistem por meses e interferem no dia a dia, quando há queda de desejo ou de ereção associada a cansaço, ou quando existe histórico de uso de anabolizantes, obesidade ou diabetes. O Dr. Lucas Fraga atende no Itaim Bibi, em São Paulo - SP, e recebe pacientes de toda a cidade de São Paulo e região. A teleconsulta pode servir como primeiro contato, mas o exame físico e a definição de conduta são presenciais.
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