A consulta que quase sempre é adiada
O homem costuma chegar ao urologista por um motivo concreto: um sintoma que apareceu, um exame alterado, uma dificuldade que passou a incomodar. A avaliação de rotina, aquela que acontece antes de qualquer queixa, é a que mais se adia.
O Dr. Lucas Fraga, urologista no Itaim Bibi, em São Paulo, conduz a avaliação urológica masculina considerando idade, histórico familiar e o que faz sentido investigar em cada caso.
O que a avaliação cobre
A consulta urológica não se resume à próstata. Ela olha para quatro frentes que costumam se influenciar:
- Função urinária: jato, frequência, urgência, despertar noturno
- Função sexual: ereção, libido, ejaculação
- Saúde da próstata: avaliação clínica e, quando indicado, laboratorial
- Saúde reprodutiva: relevante para quem tem ou pretende ter filhos
Essas frentes conversam entre si com frequência: alterações metabólicas aparecem primeiro na função sexual, e queixas urinárias mudam o sono, que por sua vez afeta o resto.
A partir de quando
- A partir dos 50 anos para a avaliação de rotina da próstata
- A partir dos 45 anos quando há histórico familiar de câncer de próstata ou ascendência africana
- Em qualquer idade, diante de sintoma urinário, sexual ou reprodutivo
Homens mais jovens costumam procurar por outros motivos, como infertilidade, varicocele e questões sexuais, e essa também é uma avaliação urológica legítima, com foco diferente.
O que costuma entrar
- História clínica detalhada: sintomas, medicações em uso, doenças associadas, histórico familiar
- Exame físico, incluindo avaliação da próstata quando indicado
- Exame de urina
- PSA, decidido em conversa, porque o resultado tem desdobramentos que vale conhecer antes
- Avaliação metabólica, quando o quadro sugere: glicemia, perfil lipídico, testosterona
- Ultrassom, conforme os achados da consulta
Não há um pacote fixo. O que se pede depende do que a consulta encontrou, e exame pedido sem indicação gera mais dúvida do que resposta.
Sobre o PSA, com franqueza
O PSA não é exclusivo de câncer: ele sobe em prostatite, em aumento benigno, após atividade sexual recente e após alguns procedimentos. Um valor alterado inicia uma investigação, não fecha um diagnóstico.
É por isso que a conversa antes do exame importa: entender o que será feito com cada resultado possível evita tanto o susto desnecessário quanto a investigação que não leva a lugar nenhum.
Quando não esperar a rotina
- Não conseguir urinar, com a bexiga cheia e dolorida: no mesmo dia
- Dor súbita e intensa no testículo, com enjoo ou vômito: no mesmo dia
- Febre com ardor e urgência para urinar: no mesmo dia
- Sangue visível na urina, mesmo uma única vez: em até 24 horas
- Caroço ou mudança de tamanho no testículo: em até 24 horas
O que a evidência ainda não fecha
O rastreamento populacional do câncer de próstata segue em discussão. Sociedades médicas divergem sobre a partir de que idade recomendar, com que frequência repetir e em quem o benefício supera os efeitos da investigação. Por isso a decisão é individual e compartilhada, e não uma regra igual para todos.
Avaliação urológica
Seja por rotina ou por uma queixa específica, a consulta urológica esclarece o que faz sentido investigar no seu caso.
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