A ereção depende de artérias que se dilatam e enchem o pênis de sangue. Essas artérias são muito mais finas que as do coração, e o mesmo processo que entope as coronárias, a aterosclerose, costuma comprometer primeiro as artérias penianas. Por isso, a dificuldade de ereção de causa vascular pode aparecer anos antes de um problema cardíaco se manifestar. O urologista avalia pressão, glicemia, colesterol, peso, tabagismo e sedentarismo, e encaminha ao cardiologista quando o risco justifica. Tratar a ereção sem olhar o restante seria tratar o sintoma e ignorar a causa.
Quando um homem procura o urologista por dificuldade de ereção, ele espera falar sobre o pênis. Costuma se surpreender quando a consulta passa por pressão arterial, circunferência abdominal, cigarro, glicemia e histórico familiar de infarto. Essa abordagem não é desvio de assunto: a disfunção erétil de origem vascular e a doença cardiovascular compartilham a mesma causa, e a ereção costuma dar o primeiro sinal.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica. Não use as informações aqui para autodiagnóstico ou automedicação. Consulte um urologista para avaliação individual, e procure atendimento de emergência em caso de dor no peito ou falta de ar.
Como a ereção depende das artérias
A ereção começa com um sinal nervoso que faz as artérias do pênis relaxarem e se dilatarem. O sangue entra nos corpos cavernosos, que se expandem e comprimem as veias de saída, e o pênis fica rígido. Esse processo depende de dois elementos: artérias capazes de se dilatar e um revestimento interno, chamado endotélio, que produz as substâncias responsáveis por esse relaxamento. Quando o endotélio está lesado ou as artérias estão estreitadas, o enchimento fica insuficiente e a ereção perde firmeza.
Por que o pênis avisa antes do coração
A aterosclerose, o acúmulo de placas de gordura na parede das artérias, é um processo do corpo inteiro, não de um órgão só. A diferença é o calibre: as artérias que irrigam o pênis têm diâmetro bem menor que as coronárias. Uma placa que reduz esse calibre já compromete a ereção, enquanto uma placa do mesmo tamanho numa artéria do coração pode ainda não causar sintoma. É por esse motivo que a dificuldade de ereção de causa vascular tende a aparecer antes de angina ou infarto, e por isso é considerada por muitas sociedades médicas um marcador de risco cardiovascular.
Os mesmos fatores que lesam o endotélio das coronárias lesam o do pênis: diabetes, hipertensão, colesterol alto, tabagismo, obesidade, sedentarismo e apneia do sono. Muitos homens descobrem que têm um ou mais desses fatores justamente na consulta por dificuldade de ereção, porque nunca haviam feito exames antes.
O que o urologista investiga na consulta
- História: como a dificuldade começou, se é gradual ou súbita, se há ereção espontânea, medicamentos em uso, cigarro, álcool e atividade física.
- Sintomas cardíacos: dor ou aperto no peito ao esforço, falta de ar, palpitações e cansaço desproporcional.
- Exame físico: pressão arterial, peso, circunferência abdominal, pulsos nas pernas e exame genital.
- Exames de sangue: glicemia e hemoglobina glicada, perfil de colesterol, função renal, testosterona quando indicado.
- Exames adicionais: ultrassom com doppler do pênis quando há dúvida sobre a causa vascular, e avaliação cardiológica quando o risco justifica.
O objetivo desse conjunto é responder a uma pergunta que vai além da ereção: qual é o risco cardiovascular deste homem nos próximos anos, e o que pode ser feito agora para reduzi-lo.
Há um detalhe da história que ajuda a separar a causa vascular das demais: a dificuldade vascular costuma ser gradual, presente em todas as situações, inclusive na masturbação e nas ereções da madrugada, e piora ao longo de meses. A dificuldade de origem emocional tende a ser mais variável, aparece em algumas situações e não em outras, e frequentemente começa de forma abrupta após um episódio marcante.
Quando o cardiologista entra
Nem todo paciente com dificuldade de ereção precisa de cardiologista. O encaminhamento é considerado quando há sintomas cardíacos, doença cardíaca já conhecida, múltiplos fatores de risco ou exames alterados. Há também uma razão prática: alguns medicamentos usados para a ereção interagem com remédios cardíacos, em especial os nitratos, e não devem ser combinados. O urologista precisa saber o estado do coração antes de prescrever.
Na direção inversa, homens que já tratam com o cardiologista e desenvolvem dificuldade de ereção nem sempre contam isso ao médico do coração. Vale contar: em alguns casos, o próprio medicamento cardíaco contribui para o sintoma, e existem ajustes possíveis a serem discutidos entre os dois especialistas.
O que mudar no dia a dia ajuda os dois problemas
Controle de peso, atividade física regular, parar de fumar, controle da pressão e da glicemia e sono adequado atuam sobre o endotélio e beneficiam a circulação como um todo. Essas medidas não substituem tratamento quando ele é necessário, mas fazem parte dele, e são o único componente que age na causa em vez do sintoma. O quanto cada homem responde varia de pessoa para pessoa, e depende de quão avançado está o comprometimento vascular.
O que a evidência ainda não define
Ainda não há consenso sobre quais homens com dificuldade de ereção e sem sintomas cardíacos devem passar por exames cardiológicos mais aprofundados, como teste de esforço ou escore de cálcio coronariano. As diretrizes concordam que a dificuldade de ereção deve levar à avaliação dos fatores de risco, mas divergem sobre até onde investigar em quem tem risco intermediário. A decisão é individual e conversada.
Quando procurar um urologista no Itaim Bibi, em São Paulo - SP
Vale agendar consulta quando a dificuldade de ereção persiste por semanas ou meses, principalmente em homens com diabetes, hipertensão, colesterol alto, cigarro ou histórico familiar de doença cardíaca. O Dr. Lucas Fraga atende no Itaim Bibi, em São Paulo - SP, e recebe pacientes de toda a cidade de São Paulo e região. A teleconsulta pode ser o primeiro contato, mas a avaliação completa é presencial. Dor no peito, falta de ar ou desmaio são motivo de pronto-socorro, não de agendamento.
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